( título meio "cabron" mas é por ai
:) )
Ontem foi dia de cinema e "Tron: Legacy", o escolhido.
Depois do culto criado à volta de uma cassete VHS(onde ela andará?), 30 anos depois, sem mãe do lado e com carta de condução na mão(ah...o crescer...) era hora de fazer-se à estrada para ver a evolução de "Tron".
"Tron: Legacy", nada mais é do que "Tron" reciclado, com uma componente emocional maior.
Tal como no primeiro, o feito alcançado com os efeitos especiais, parecem ofuscar outra parte importante do processo: o argumento.
Se faria uma história diferente? Não sei, mas há aspectos em "Legacy" que, não fosse a "distracção" visual, dificilmente seria...interessante. Não quero resumir esta falta de interesse à cena do bar e ao excesso da personagem de Michael Sheen, ou do programa "maria vai com as outras", aliado de "Clu", mas ali reside parte de algo que não incluiria no filme ou, se calhar, eu deveria entender mais sobre informática...
O realizador Joseph Kosinki parece não ter resistido à beleza de Beau Garret, com seus constantes "close up´s" na rapariga. Não era a camêra a namorar com a actriz, aquilo era falta de controlo nos olhos! :)
Sobre "Tron" o personagem, foi uma carta "mal utilizada". Que raio de "flashback" foi aquele?
Mas eu gostei do filme, não se deixem levar pelas linhas acima.
Gosto da idéia de "Legacy" prestar homenagem à "Tron" logo nos minutos iniciais do filme, ao mesmo tempo que insere na história, quem nunca viu o primeiro.
Há piscadelas à factos do primeiro que, para quem nunca viu, não saberá o significado como a cena da porta, o "sim" e o "não", as naves e pelo que vi, um tanque que remonta há uma frase dita por "Flynn" há 28 anos atrás.
"Tron" ficou na memória até hoje porque é "devagar". "Legacy", pelo contrário, é rápido demais(quesito efeitos especiais).
A componente visual é arrebatadora e no final, se a história deixa um pouco à quem de alguma expectativa criada, o aparato visual compensa, de que maneira, o resto.
As cenas com as motos são um regalo para os olhos e as naves, desde o desenho até o balé de seus movimentos, são perfeitos(se algum dia o filme da "Mulher Maravilha" acontecer, a tecnologia para sua nave invisível já esta disponível).
Direcção de arte é simplesmente bela. É o futuro com traços livres de excesso. A casa de Flynn é um primórdio arquitectónico e o guarda-roupa, ou muito me engano ou terá vida longa em termos comerciais.
Nada disso ficaria completo sem a música dos "Daftpunk". A inclusão de uma banda electrónica na banda sonora do filme foi uma aposta ganha(a moda esta a pegar e a resultar, Trent Reznor, ganhou um globo de outro pelo seu trabalho musical em "The Social Network).
Não sai da cabeça a primeira luta de "Sam Flynn" ao som dos franceses(já referido aqui tempos atrás, um dos elementos é de origem lusa).
O som não está ali por acaso e dá gosto prestar atenção nos movimentos desta "personagem". Na cena do bar, os "Daftpunk" dão o ar de sua graça, com merecido tempo de antena. Escolha perfeita!
Para o final, uma nota à "Clu", a versão digital criada à partir da imagem que Kevin Flynn.
Não fazia idéia do quão seria usada esta imagem rejuvenescida de Jeff Bridges e no final, dou-me por satisfeito.
Sentia a satisfação do realizador ao mostrar tantos "close-up´s" de "Clu". Impressionante o ponto que a tecnologia cinematográfica esta e este filme sim, mostra um caminho totalmente diferente do visto até então, na captação de imagens ou só via CGI que Final Fantasy: The Spirits Within, começou em 2001.
Filme para fã matar saudades, filme para novos fãs passarem um bom bocado no cinema, sem grandes preocupações.